Monstro: A História de Lizzie Borden é uma das novas produções da Netflix que chama atenção por contar a história de um crime que realmente aconteceu. A série acompanha Lizzie Borden, uma mulher acusada de matar o próprio pai e a madrasta no século XIX.
Mas até onde a produção segue os acontecimentos históricos? Lizzie Borden realmente matou os pais? A relação dela com a empregada Bridget “Maggie” Sullivan aconteceu de verdade? E o que aconteceu com Lizzie depois do julgamento?
A resposta mais importante é que o caso de Lizzie Borden é real, mas a série mistura fatos históricos com elementos criados ou modificados para a dramatização. Até hoje, inclusive, não existe uma resposta definitiva sobre quem matou Andrew e Abby Borden.
A seguir, entenda a história real por trás de Monstro: A História de Lizzie Borden.
Monstro: A História de Lizzie Borden é baseada em fatos reais?
Sim. Monstro: A História de Lizzie Borden é baseada em um caso real ocorrido em 1892, na cidade de Fall River, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos.
Lizzie Borden realmente existiu e ficou conhecida depois que seu pai, Andrew Borden, e sua madrasta, Abby Borden, foram encontrados mortos dentro da casa da família.
Os dois foram mortos com golpes de um objeto semelhante a um machado ou machadinha. Lizzie acabou se tornando a principal suspeita e foi presa e levada a julgamento.
No entanto, existe uma diferença importante entre a história real e a forma como a série apresenta os acontecimentos.
Lizzie Borden foi absolvida.
Ou seja, apesar de ter sido acusada pelos assassinatos, ela não foi considerada culpada pela Justiça. O julgamento aconteceu em 1893 e terminou com um veredito de inocência depois de cerca de 90 minutos de deliberação do júri.
Por isso, quando a série mostra Lizzie como responsável pelos assassinatos, é importante lembrar que essa é uma escolha narrativa da produção, e não um fato comprovado historicamente.
Quem foi Lizzie Borden na vida real?
Lizzie Andrew Borden nasceu em 1860 e vivia com sua família em Fall River, Massachusetts.
Seu pai, Andrew Borden, era um homem de negócios relativamente rico. A família vivia em uma casa confortável para os padrões da época, mas a relação familiar apresentada nas fontes históricas é mais complexa do que a simples imagem de uma família feliz.
Lizzie e sua irmã, Emma, eram filhas de Andrew com sua primeira esposa. A mãe das duas morreu quando elas ainda eram jovens, e Andrew se casou novamente com Abby Durfee Gray, que passou a ser a madrasta das meninas.
Foi justamente essa família que acabou no centro de um dos crimes mais famosos dos Estados Unidos.
A história de Lizzie se tornou ainda mais conhecida porque ela não tinha o perfil que muitas pessoas esperavam de uma suspeita de assassinato naquele período.
Ela era uma mulher de uma família respeitável, religiosa e de boa posição social. O contraste entre sua imagem pública e a brutalidade dos assassinatos ajudou a transformar o caso em uma grande sensação nos jornais.
Como aconteceram os assassinatos de Andrew e Abby Borden?
Os assassinatos aconteceram em 4 de agosto de 1892.
Andrew Borden foi encontrado morto na sala da casa. Seu corpo apresentava vários ferimentos na cabeça e no rosto.
Pouco depois, Abby Borden também foi encontrada morta em um quarto no andar de cima.
As autópsias indicaram que Abby recebeu aproximadamente 18 ou 19 golpes, enquanto Andrew sofreu cerca de 10 ou 11 golpes fatais.
Esses números são importantes porque uma das versões mais conhecidas da história de Lizzie Borden vem de uma famosa cantiga infantil americana.
A rima diz que Lizzie deu dezenas de golpes na madrasta e depois matou o pai. O problema é que a cantiga exagera os números e ajudou a transformar um caso real e complexo em uma espécie de lenda.
A própria HISTORY destaca que a famosa rima distorce vários detalhes do caso e reforçou durante décadas a ideia de que Lizzie era definitivamente a assassina.
Lizzie Borden realmente matou o pai e a madrasta?
Essa é a grande pergunta do caso.
Não existe uma resposta definitiva.
A Justiça da época não conseguiu provar que Lizzie era a assassina. Ela foi julgada e absolvida.
Ao mesmo tempo, existem circunstâncias que fizeram com que ela fosse considerada suspeita.
Lizzie estava na casa no dia dos assassinatos e acabou sendo investigada pelas autoridades. Alguns comportamentos dela também levantaram suspeitas.
Por outro lado, a investigação tinha limitações enormes para os padrões atuais.
Não havia exames de DNA, câmeras de segurança ou métodos modernos de análise forense. Além disso, a polícia não conseguiu encontrar uma arma que ligasse de forma definitiva Lizzie aos assassinatos.
Esse conjunto de fatores ajudou a criar um dos maiores mistérios criminais da história americana.
Quais eram as principais suspeitas contra Lizzie Borden?
A acusação tentou construir uma história em que Lizzie teria motivos para matar o pai e a madrasta.
Um dos pontos discutidos era a relação complicada dentro da família. Também havia questões relacionadas ao dinheiro e à propriedade da família.
Outro elemento importante foi uma tentativa de Lizzie de comprar ácido prússico, uma substância extremamente venenosa, pouco antes dos assassinatos. A tentativa chamou a atenção dos investigadores, embora esse episódio não tenha conseguido provar que ela planejava matar os pais.
Também houve a questão das roupas.
Uma amiga da família, Alice Russell, afirmou que Lizzie queimou um vestido depois dos assassinatos. A explicação apresentada era de que a roupa estava manchada com tinta antiga, mas a situação acabou alimentando ainda mais as suspeitas.
A série usa alguns desses acontecimentos reais, mas transforma determinadas situações para criar uma narrativa mais direta.
Bridget “Maggie” Sullivan existiu de verdade?
Sim.
Bridget Sullivan, conhecida pela família Borden como Maggie, foi uma empregada que trabalhava para a família.
Ela estava na casa no dia dos assassinatos e se tornou uma das testemunhas importantes do caso.
Na série, a relação entre Lizzie e Maggie ganha uma importância muito maior e é usada como parte central da história. A produção cria uma relação dramática entre as duas e faz com que Maggie tenha um papel direto nos acontecimentos.
Na vida real, porém, não existe comprovação de que Bridget Sullivan tenha ajudado Lizzie a cometer os assassinatos.
Esse é um dos exemplos mais claros de como a série utiliza personagens reais, mas cria situações ficcionais para preencher as lacunas da história.
Sullivan testemunhou no julgamento e seu depoimento não forneceu aos promotores a prova direta que eles precisavam contra Lizzie. Ela não era uma testemunha que tivesse visto Lizzie cometer os assassinatos.
O que a série de Lizzie Borden muda na história real?
Monstro: A História de Lizzie Borden mantém vários acontecimentos conhecidos do caso, mas também toma muitas liberdades criativas.
A própria Netflix explica que a produção utiliza fatos reais como base, mas transforma personagens e acontecimentos para criar a versão de Lizzie apresentada na série.
Um exemplo é justamente a relação entre Lizzie e Maggie.
A série apresenta uma ligação muito mais profunda entre as duas e coloca Maggie como alguém que influencia e ajuda Lizzie nos assassinatos. Isso faz parte da narrativa da produção, não de algo comprovado historicamente.
Outro exemplo envolve a tentativa de compra de ácido.
Na história real, Lizzie tentou comprar ácido prússico, mas não conseguiu. A série transforma esse acontecimento em uma tentativa anterior de matar os pais, incluindo uma situação envolvendo comida.
Portanto, nem tudo que acontece na série deve ser interpretado como um fato histórico.
Lizzie Borden foi condenada pelos assassinatos?
Não.
Esse é um dos pontos mais importantes para entender o caso.
Lizzie Borden foi julgada em 1893 e absolvida das acusações de assassinato.
O julgamento começou em junho daquele ano e recebeu uma enorme atenção dos jornais. O caso já havia se transformado em um fenômeno nacional.
A acusação não conseguiu apresentar evidências físicas suficientes para convencer o júri.
O julgamento também teve momentos bastante marcantes. A defesa conseguiu impedir que algumas informações fossem usadas contra Lizzie, incluindo determinadas declarações feitas por ela durante a investigação.
No final, o júri precisou de aproximadamente 90 minutos para chegar ao veredito.
Lizzie foi considerada inocente e saiu do tribunal como uma mulher livre.
Por que Lizzie Borden foi absolvida?
A absolvição aconteceu principalmente porque a acusação não conseguiu apresentar provas suficientemente fortes para estabelecer a culpa de Lizzie.
A investigação tinha muitas suspeitas e circunstâncias estranhas, mas faltava uma ligação física definitiva entre Lizzie e os assassinatos.
A polícia encontrou machados e machadinhas na casa, mas não conseguiu estabelecer uma conexão conclusiva entre uma dessas ferramentas e Lizzie. A investigação também não contou com técnicas forenses modernas.
Além disso, parte das provas consideradas importantes pela acusação acabou não sendo apresentada ao júri.
Com isso, os jurados não ficaram convencidos de que a acusação havia provado a culpa de Lizzie além de uma dúvida razoável.
O que aconteceu com Lizzie Borden depois do julgamento?
Depois de ser absolvida, Lizzie continuou vivendo em Fall River.
Ela e sua irmã Emma passaram a morar em uma casa maior e mais confortável chamada Maplecroft.
Mesmo livre, Lizzie nunca conseguiu se livrar completamente das suspeitas.
Muitas pessoas continuaram acreditando que ela havia cometido os assassinatos. O caso permaneceu na imprensa e, com o passar dos anos, Lizzie se transformou em uma figura famosa.
Sua vida também mudou bastante depois do julgamento.
A relação entre Lizzie e a comunidade ficou marcada pelo escândalo. Ela continuou sendo associada aos assassinatos de Andrew e Abby Borden até o fim da vida.
Lizzie morreu em 1927, décadas depois do julgamento. Ela foi enterrada no mesmo local onde estão seus familiares.
A casa de Lizzie Borden existe até hoje?
Sim.
A casa onde aconteceram os assassinatos continua existindo em Fall River, Massachusetts.
Atualmente, o imóvel funciona como uma hospedagem conhecida como Lizzie Borden House.
A casa se tornou uma das principais atrações relacionadas ao caso e recebe pessoas interessadas na história de Lizzie Borden.
A Netflix também confirmou que o imóvel realmente se tornou uma espécie de pousada, embora a produção tenha criado algumas situações envolvendo personagens de outras épocas.
Isso ajuda a explicar por que o caso continua tão presente na cultura popular mais de 130 anos depois dos assassinatos.
Aileen Wuornos realmente aparece na história de Lizzie Borden?
A série também faz uma conexão entre Lizzie Borden e Aileen Wuornos, interpretada por Sarah Paulson.
Essa parte precisa ser vista com cuidado.
Aileen Wuornos foi uma criminosa real que matou sete homens na Flórida entre 1989 e 1990. Ela foi presa, condenada e executada em 2002.
Na série, sua história aparece ligada ao legado de Lizzie Borden.
Porém, não existe evidência de que a verdadeira Aileen Wuornos fosse obcecada pela história de Lizzie Borden.
A produção usa essa conexão como uma forma de trabalhar a ideia de como a imagem de Lizzie atravessou gerações e continuou presente na cultura sobre crimes reais.
O que é verdade e o que é ficção em Monstro: A História de Lizzie Borden?
De forma simples, podemos separar a produção em duas partes.
A parte histórica inclui a existência de Lizzie Borden, Andrew Borden, Abby Borden e Bridget Sullivan. Os assassinatos de 1892 também aconteceram de verdade, assim como o julgamento de Lizzie em 1893 e sua absolvição.
Já alguns relacionamentos, diálogos, motivações e acontecimentos mostrados de maneira detalhada foram criados ou modificados para a série.
A Netflix deixa claro que os roteiristas partiram de informações reais sobre Lizzie, mas criaram uma versão dramatizada da personagem.
Por isso, a melhor maneira de assistir à produção é entendê-la como uma dramatização de um caso real, e não como um documentário.
Qual é a verdadeira história de Lizzie Borden?
A verdadeira história de Lizzie Borden é justamente marcada pela falta de uma resposta definitiva.
Em 1892, seu pai e sua madrasta foram brutalmente assassinados dentro da própria casa.
Lizzie se tornou a principal suspeita, foi presa e acabou julgada.
A acusação apresentou uma série de circunstâncias que levantavam dúvidas sobre ela, mas não conseguiu apresentar uma prova definitiva de que Lizzie era a assassina.
Em 1893, o júri a absolveu.
Depois disso, Lizzie continuou sua vida, mas nunca escapou completamente da fama criada pelo caso.
Mais de um século depois, a história continua despertando perguntas porque a Justiça encerrou o julgamento, mas o mistério sobre quem realmente matou Andrew e Abby Borden permaneceu.
É justamente essa dúvida que faz com que o caso continue sendo tão interessante.
Conclusão: Monstro: A História de Lizzie Borden conta uma história real?
Sim, Monstro: A História de Lizzie Borden é inspirada em um caso real, mas a série não apresenta todos os acontecimentos exatamente como ocorreram.
Os assassinatos de Andrew e Abby Borden aconteceram de verdade. Lizzie Borden realmente foi acusada, presa e julgada. Ela também foi realmente absolvida em 1893.
O que permanece sem resposta é se Lizzie foi realmente responsável pelos crimes.
A série toma uma posição narrativa mais definida sobre a história e acrescenta elementos de ficção para construir sua trama. Por isso, quem quiser conhecer o caso histórico precisa separar aquilo que foi comprovado nos documentos e no julgamento daquilo que foi criado para a televisão.
No fim, a maior curiosidade sobre Lizzie Borden continua sendo a mesma há mais de um século: ela realmente matou o pai e a madrasta ou foi uma mulher acusada de um crime que nunca conseguiu ser solucionado?
Essa dúvida é justamente uma das razões pelas quais o caso continua sendo lembrado até hoje.





